2006/03/13

GESTO

Gesto, do Lat. Gestu. s. m., movimento do corpo, especialmente da cabeça e dos braços, para exprimir ideias; sinal; mímica; (no pl.) movimentos da fisionomia, da cabeça e dos braços, com que o orador comenta ou dramatiza o discurso.

Um gesto é como uma nota musical, um movimento colorido que nos indica o estilo, a atitude. São os pequenos gestos que nos denunciam a forma de ser e de estar, o ritmo corporal que nos insinua a dança que é inerente a cada pessoa.

Mas, generalizemos. Um gesto pode ser físico, um simples acto de expressão, ou de sublimação de ideias, ou um acto e aí indicia a atitude.

Os gestos fascinam-me. Opto claramente pelos pequenos gestos do dia-a-dia (leiam-se “actos”) aos grandes gestos. Estes últimos lembram-me alguma frieza, porque não são tão espontâneos.

Gesto é movimento, liberdade, acto de dar, receber, sorrir, chorar, abraçar, aniquilar, enfatizar, coroar, sublimar, destruir… os gestos não existem per si, mas sim num conjunto e a isso chamo “atitude”.



Poderia concluir que me apraz analisar alguém pelos seus gestos como forma de entender a sua atitude, no fundo uma espécie de prova dos nove. Seria assim linear e simples, a leitura, caso o ser humano também o fosse. Mas não… há gestos invisíveis que contrariam o sorriso, ou então o mal-estar. Eu, em caso de dúvida, opto pelo gesto como sendo o verdadeiro, pois um beijo pode ser tão automático quanto o acto de comer, dormir ou espirrar. Os gestos não o são, porque neles reside a expressão corporal que tantas vezes desmente o que as bocas dizem.

Mas também aceito a ideia de que mecanizamos os gestos, porque é uma camuflagem obrigatória para sobrevivermos neste mato que é a vida, neste mercantilismo que é sobreviver, estando bem com deus e com o diabo.

A volatilidade efémera dos gestos está em agravada decadência, cada vez menos o movimento arrebatador se faz notar, o que me dá alguma pena, porque, creio, damos sempre tudo por garantido.

Esta é a minha lição para este dia, o primeiro dia de 2006 em que vi uma borboleta e fiquei a pensar na sua fragilidade, mas na sua enorme beleza e pureza, embora tão fugaz… como os gestos… Foi um momento de iluminação para mim quando metaforizei o que via… poderosa imagem que me abraçou como há muito não me abraçavam.

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