2005/08/14

VIAJANTE

A ideia de ser viajante toda a vida sempre me agradou. Poder andar por aí, conhecer, aprender, absorver culturas, ter nos olhos e na pele as marcas de cada recanto visitado... poder dizer que não sou de lado nenhum, mas de todos ao mesmo tempo e não ser de ninguém, nem de mim própria, ser mero vento que passa (como trova). Meter a vida numa mochila e ir com passos sem rumo, mas firmes.

Mas para se ser viajante assim implica ser-se solitária, desprendida e forte para que a única companhia seja a nossa própria. E essa é a tarefa mais árdua: a de não nos deixarmos prender.

Nunca consegui alcançar este estatuto. Apenas bolinei a costa em alguns momentos da minha vida, sem nunca ter tido coragem de deixar o vento encher as velas e me levar para mar alto. Não pelo desconhecido, que me atrai misteriosa e perigosamente, mas pelo que fica em terra, acenando para mim.

Ser partida de cais, como intenção, ter um pequeno barco a remos como realidade.

Mas reconheço que não preciso de ser viajante para ser solitária. Exisem coisas que não precisam de ser procuradas, porque nos atropelam e deixam marcas indeléveis e o sangue no asfalto. Não me sinto vento, embora tenha momentos de brisa.

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